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20 de novembro de 2008
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17 de Julho de 2008

O banner superfaturado do Senado Federal e a ingenuidade editorial

A história começa na tarde de domingo (13/07): após dica de um leitor, Carlos Cardoso publica em seu blog a denúncia que o Senado Federal mantém um contrato de publicidade avaliado em 48 mil reais mensais com o portal Paraiba.com.br.

Ao vasculhar no Registro.br dados básicos sobre o endereço, Cardoso descobre que o gerenciamento da página onde o Senado Federal anuncia é feito pelo Paraiba Internet Graphics (chamada também de Era Digital Internet Graphics Ltda.), localizada em Campina Grande.

É da empresa também o gerenciamento do site do senador Efraim Morais (DEM-PB) que (acompanhe a meada) já havia se envolvido em um escândalo de publicidade em portais aliados no final de 2005, inclusive com a participação da Paraiba Internet Graphics.

O ex-deputado federal Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB), que renunciou ao cargo em dezembro de 2007 ao ser acusado de tentar matar um ex-Governador da Praíba, também tem seu site gerenciado pela Paraiba Internet Graphics.

A matéria do UOL News, replicada ironicamente no próprio Paraiba.com.br, cita ligações familiares entre Efraim e uma das empresas supostamente beneficiadas. Matéria da Folha Online de dezembro de 2005 esclarece que a Paraíba Turismo, do primo do senador Glauco Morais, ganhou 120 mil reais em um ano para exibir o mesmo blog.

Com a popularização da notícia, a informação hospedada no site do Senado Federal sobre a assiduidade do pagamento publicitário é alterada - o termo "mensal", antes junto à astronômica cifra, já não está lá, nem mesmo no cachê do Google. A imagem publicada por Cardoso, porém, supostamente confirma o montante.

blogdosblogs_bannersenado

Extrapolando o raciocínio proposta por Cardoso, a tabela acima (com blogs de sucesso no Brasil, como Meiobit, Sedentário e Hiperativo, BR-Linux e a comunidade ao redor do Interney.net) deixa claro que não há tráfego suficiente no Paraiba.com.br que justifique um preço tão elevado para a divulgação de um banner acanhado no canto superior direito.

Manoel Netto, do Tecnocracia, encontrou outro descabimento: o contrato foi fechado sem licitação, algo permitido apenas para serviços pontuais onde não há competição suficiente para tal. Ainda que o banner fosse único, argumento Netto, "serviços de publicidade são especificamente proibidos de serem tratados como inexigíveis, portanto, esse contrato não deveria ser aprovado, certo?". Certo.

Após quatro dias de apuração, finalmente o responsável pela imprensa no gabinete do senador Efraim Morais atende a reportagem do IDG Now!. Está no trânsito, mas começa a falar já afirmando que houve apenas um erro de divulgação do Senado. O valor real é de 4 mil reais por mês, 48 mil reais por ano.

Alguém, diz ele, errou na hora de descrever o contrato no site do Senado. Ter banner do Senado Federal em um site não é um crime. É uma parceria que envolve conteúdo, os portais também ganham para publicar conteúdo da Agência Senado.

Ué, isto não fere o manual de jornalismo sobre a integração entre editorial e o comercial? Ele não sabe responder. Ilegal, não é. É imoral ou antiético? Ele não responde de novo e pede que o repórter pergunte ao responsável pelo Paraiba.com.br, Henrique Cirne.

O assessor não sabe da história anterior do senador Efraim com a veiculação de publicidade oficial em sites gerenciados por seu primo. O repórter pergunta se a credibilidade do senador não caiu perante o caso anterior quando os blogueiros descobriram do suposto contrato supervalorizado.

A resposta é monossilábica: não. "Eu recebo muitos e-mails. Tem muita gente mandando e-mail. Isto não é legal, não é bonito não. Tem que colocar informação correta. Tem que apurar. Ninguém dos blogs me ligou para apurar", desabafa.

A explicação do assessor significa que o caso está esclarecido? Não, ainda mais pelo peso dos casos anteriores que envolviam o nome do senador em situações publicitárias muito parecidas e já comprovadamente descabidas legalmente. E a emenda do assessor, admitindo que há uma relação de compra de conteúdo, o que fere qualquer tipo de princípio ético de um serviço dito noticioso, parece ter saído pior que o soneto da acusação original.

Henrique Cirne foi procurado pelo IDG Now! tanto na Paraiba Internet Graphics como no seu celular. Não respondeu.

Este post tem a apuração e a redação de Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!.

Publicado por Guilherme Felitti às 21h16

dejavu - sem novidade

olha essa noticia, no proprio site do senado, afirmando esse tipo de contrato. Note que a noticia é de 2005 e até hoje nada foi feito.
http://www.senado.gov.br/sf/noticia/senamidia/principaisJornais/verNoticia1.asp?ud=20051216&datNoticia=20051216&codNoticia=173017&nomeOrgao=&nomeJornal=Folha+de+S.+Paulo&codOrgao=47

Teste
22-07-2008 12:39

Banner super faturado - Senado Federal

Não dá mais para aguentar tanta safadeza enraizada nos escalões mais altos do governo de nosso país. Seria interessante ter um time para invadir as empresas e escritórios desses caras e fazê-los pagar. Imaginem só o site paraíba.com.br fora do ar, sofrendo constantes ataques, o Efraim tem muitas impresas e é só um dos casos, de muitos que não conhecemos. Temos que fazer alguma coisa, vamos dar um basta em toda essa lama. Eles podem ter leis e "costas-quente" para protegê-los mas não possuem poder algum contra nosso conhecimento.
Vamos fazer a nossa parte.
Pode parecer uma idéia ridícula, mas porque não?

Styvonn
27-07-2008 19:12